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A Growing Tree

Esquecer as preocupações,ficar imerso no momento. Capturar a variedade de emoções e amor do mundo em nosso redor. Capturar a essência das coisas,uma sensação e não uma aparência,emoçoes.

A Growing Tree

Esquecer as preocupações,ficar imerso no momento. Capturar a variedade de emoções e amor do mundo em nosso redor. Capturar a essência das coisas,uma sensação e não uma aparência,emoçoes.

18.06.21

Shadows


Kika

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Será que faço o suficiente?...

Já perdi a conta de quantas vezes fiz esta pergunta.

Desde o momento que me tornei cuidadora da minha avó e a vi desaparecer à frente dos meus olhos, dia após dia, até se tornar uma desconhecida devido à maldita doença de Alzheimer...

Desde o momento que notei os primeiros sintomas na minha mãe e tomei consciência de como seria o nosso futuro...

Pergunto constantemente, como se alguma vez me tivessem dito que não era o suficiente.

Se você ama alguém com Alzheimer, tenho certeza que se identifica. Mas vou partilhar algo que gostaria que alguém tivesse partilhado comigo no passado.

O suficiente é um padrão impossível.

O suficiente é uma meta inatingível.

O suficiente é uma configuração para o fracasso.

A ideia de suficiente é subjetiva - é obscura e indefinida, porque quando se trata dos cuidados do nosso ente querido, não existe o suficiente - ele não existe.

Se continuarmos a perseguir a terra do suficiente, vamos desesperar e perder a luta tentando chegar lá, e a verdade é que nunca vamos lá chegar.

Em vez de tentar fazer o suficiente, concentrem-se apenas em tentar fazer o que puderem.

E nos dias em que não poderem fazer nada, ainda podemos amá-los.

Eu prometo, amar, por si só, já é suficiente.

 

06.06.21

Am I doing enough......


Kika

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A cada dia que passa, a questão surge cada vez mais na mente.... Estarei a fazer o suficiente? Poderei fazer mais?...

24 horas por dia, 365 dias ao ano, e as duvidas são sempre as mesmas.

Pode começar com simples perguntas repetitivas durante um almoço, durante um filme ou um jogo de futebol. Começo por respirar fundo e responder pacientemente quantas vezes é necessário. Mas não sabia o que dizer na hora que questiona onde a sua falecida mãe, pelo seu pai... "A bábá não está mais aqui...". Só que ela não se lembra: "Já morreu? Quando? Como é que eu não me lembro disso?..."

Essas questões são difíceis, mas as mais dificeis surgem com o tempo. Com o passar do tempo, surgem os esquecimentos dos nomes, o esquecimento de quem eu sou, o esquecimento de onde mora e os ataques de pânico por não encontrar ninguém e não reconhecer a casa. Para os cuidadores torna-se dificil, para o doente é uma questão de tempo porque eles vivem o minuto ali. Então  arranja-se pequenas "mentiras", de modo a que não fique alterada e evitar o sofrimento.

A carga emocional nesses casos pode ser tão grande para o cuidador que o peso torna-se cada vez mais dificil de carregar... E passas as noites a pensar no que o ámanha irá trazer, o que terás que fazer para controlar os seus sentimentos, o que mais surgirá....

Mas aguentas. Aguentas e continuas, dia-a-dia, a sofrer em silencio... Até ao ponto em que, na brincadeira enquanto preparam o jantar para o dia seguinte, ela se esquece do teu nome. e rindo, perguntas: "Entã mãe, como me chamo? Quem é a minha mãe?" E ela olha nos teus olhos e não sabe dizer....... Uma facada funda no coração. Mas respiras fundo e dás uma abraço apertado e brincas com a situação, mas a marca fica lá.

E mais uma vez, depois de todos a dormir e teres arrumado e preparado tudo para o dia seguinte, consegues deitar-te na cama e a cabeça não pára de pensar naquele momento, e no que mais irá acontecer...

Será que estou a fazer o suficiente?....